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Ano 5 | Nº 9 |  
Edição 9 < PAVIMENTOS
Recomendações de execução de pavimentos rodoviários de concreto com vibroacabadoras de fôrmas deslizantes – Parte 2
 
Nessa segunda parte do artigo do Engº Marcos Dutra de Carvalho serão abordadas as recomendações de execução de pavimentos rodoviários de concreto com vibroacabadoras de fôrmas deslizantes.
 

Da texturização superficial do concreto, iniciadas logo após aquelas de acabamento final com as desempenadeiras metálicas, até a liberação do pavimento ao tráfego, este artigo enfoca os aspectos de construção, com base nas peculiaridadades das vibroacabadoras de fôrmas deslizantes e das usinas de concreto de grande porte, além das exigências típicas de projeto e de logística de obra. As recomendações são mostradas segundo a seqüência típica de execução desse tipo de instalação.

 

Texturização superficial

 

A texturização deverá ser feita pelo equipamento texturizador, autopropulsionado, logo após o término do acabamento final da superfície, dado pelas desempenadeiras metálicas manuais, conforme os procedimentos especificados no projeto e aprovado pela Fiscalização. Vassouras manuais poderão ser empregadas para complementação ou correção da textura superficial dada pelo equipamento. As Figuras 1 e 2 ilustram essas etapas.

 

Figura 1. Texturização manual

 

 Figura 2. Texturização mecânica

Cura

 

A cura do concreto deverá ser a mais rigorosa possível, feita através de produtos químicos capazes de formar película plástica, que atenda a norma ASTM C 309, numa taxa definida pelo fabricante e aprovada pela Fiscalização, no mínimo igual a  0,40 l/m2.

 

A aplicação deverá ser realizada através de equipamento autopropulsionado constituído de bomba e barra espargidora em toda a largura da faixa, devendo ser iniciada logo após o término das operações de texturização, assim que o concreto tenha perdido o brilho superficial.

 

É necessário que os bicos espargidores do equipamento sejam constantemente inspecionados, de modo a evitar entupimentos. Caso necessário, esses bicos deverão ser substituídos.

 

As faces laterais das placas deverão ser imediatamente protegidas por meio que lhes proporcione condições de cura análogas às da superfície do pavimento.

 

Caso ocorra evaporação da água de amassamento, durante a concretagem, o equipamento poderá aplicar uma segunda demão de produto químico, a critério da Fiscalização.

 

É recomendável que o equipamento espargidor não se distancie muito da vibroacabadora, de maneira a não comprometer a eficácia da cura.

 

Deve-se ter na obra bombas costais, manuais, para eventual complementação  da cura química.

 

A eficácia da cura química é fundamental para a garantia da qualidade do pavimento e para que se evite a ocorrência de fissuras de retração plástica no concreto. As Figuras 3 e 4 ilustram essas etapas.

Figura 3. Cura química mecanizada
 

 Figura 4. Cura química ( complemento nas bordas )

Execução de juntas

 

Todas as juntas longitudinais e transversais deverão estar de conformidade com as posições exatas indicadas no projeto, não se permitindo desvios de alinhamento superiores a 5 mm. As juntas deverão ser contínuas em todo o comprimento.

 

Juntas transversais serradas

 

É o processo obrigatório para abertura de juntas; exige um concreto semi endurecido, ao qual se aplicará um plano de corte em que as idades do concreto no momento do corte estarão entre as 6 h e 12 h, a ser verificado experimentalmente.

 

O plano de corte deverá ser definido pela Construtora e aprovado pela Fiscalização, para a obra em questão, tendo em vista as condições climáticas, o tipo de concreto aplicado e, principalmente, o tipo de cimento.

 

As operações de corte deverão ser iniciadas o mais cedo possível, sendo que o primeiro corte exigirá um concreto semi-endurecido, de modo tal que ao se iniciar a serragem não ocorra o esboroamento das bordas da junta.

 

Caso esse esboroamento ocorra, significará que o concreto ainda encontra se "verde", ou seja, com baixa resistência mecânica. Isso exigirá um tempo de espera, entre uma e duas horas, a ser verificado experimentalmente, para que se faça uma nova tentativa de início de serragem.

 

É necessário dimensionar o número de serras em função da produção diária de concretagem.

 

As juntas devem ser locadas por topografia, devendo ser referidas a pontos fixos nas margens da pista.

 

As juntas transversais deverão ser retilíneas e normais ao eixo longitudinal do pavimento, salvo em situações particulares indicadas no projeto.

 

Não se admite, em nenhuma hipótese, profundidade de corte inferior à especificada em projeto.

 

Nessa fase, recomenda-se que a profundidade de corte seja verificada, com o emprego de gabaritos metálicos, ao longo de toda a extensão da junta ou em pelo menos 5 pontos aleatórios, em cada placa. A Figura 5 ilustra essa fase.

 

Figura 5. Serragem de juntas transversais

 

Juntas transversais de construção

 

Ao fim de cada jornada de trabalho, ou sempre que a concretagem tiver de ser interrompida por mais de 30 minutos, será executada uma junta de construção, cuja posição deve coincidir com a de uma junta transversal indicada no projeto. Quando a coincidência se verificar numa junta de contração, esta deve ser substituída por uma junta transversal de construção, de tipo indicado no projeto. No caso em que acontecimentos fortuitos, como acidentes mecânicos ou pessoais, atraso no transporte de concreto, chuvas torrenciais e outros, venham impedir o prosseguimento da concretagem até uma junta transversal projetada, será executada, obrigatoriamente, uma junta transversal de construção de emergência, de tipo previsto no projeto. A Figura 6 ilustra uma junta transversal de construção típica, com a fôrma colocada (a) e depois da sua remoção (b).

 

Figura 6a. Junta transversal de construção, com a fôrma colocada
 
 Figura 6b. Depois da sua remoção

 

Juntas longitudinais de seção enfraquecida

 

As juntas longitudinais devem ser serradas no concreto semi-endurecido num prazo máximo de 24 horas após o término das operações de cura do concreto, a ser verificado experimentalmente.

 

É de fundamental importância que o corte garanta a profundidade da ranhura prevista em projeto. A Figura 7 ilustra essa etapa.

Figura 7. Serragem de juntas longitudinais

 

Juntas longitudinais de construção

As juntas longitudinais de construção deverão ter a seção transversal definida em projeto.

 

As juntas de encaixe macho-fêmea serão executadas pelas fôrmas metálicas dotadas de moldes apropriados, no formato do referido encaixe, acoplados à máquina durante a operação de concretagem.

 

Devem ser tomados cuidados especiais com as bordas do concreto fresco. 

 

Selagem de juntas

 

Após a abertura do reservatório do selante com a serra de disco diamantado, deverá ser realizada a limpeza das paredes internas e do fundo das juntas, de modo a retirar a nata de cimento que fica impregnada durante a operação de corte.

 

A limpeza fina com jatos de água e ar comprimido para a retirada dos resíduos soltos é fundamental para a garantia da aderência do material selante às paredes verticais das juntas, conforme ilustrado na Figura 8.

 

Figura 8a. Limpeza das juntas com ferramenta manual
 
 Figura 8b. Lavagem com água
 
 Figura 8c. Secagem com jatos de ar

 

O material selante deverá ser aplicado conforme o fator de forma especificado em projeto e os procedimentos definidos pelo fabricante. A Figura 9 ilustra essa etapa.

 

Figura 9a. Aplicação do material selante moldado no local
 
 Figura 9b ou pré moldado

 

Recomendações especiais

 

·          A sub-base deverá estar o mais nivelada e regularizada possível, dentro de rigorosas especificações de execução e de controle topográfico, de modo que não interfira na operação do equipamento e na qualidade final do pavimento.

·          Devem ser tomados cuidados redobrados com o plano de serragem e a profundidade de corte das juntas transversais e longitudinais, de modo que se evitem as indesejáveis fissuras transversais e longitudinais fora das juntas.   

·          O número de serras de disco disponíveis na obra deverá ser plenamente suficiente para atender ao plano de serragem.

·          Devem ser tomados todos os cuidados para a garantia da regularidade longitudinal do pavimento, de modo que se garanta um desnível máximo de 5 mm, medido na régua de 3 m, tanto na direção longitudinal quanto na transversal ao eixo da pista.

·          Outros procedimentos de execução, que objetivem melhorar a qualidade do produto final acabado, podem ser propostos pela Projetista ou pela Construtora, e utilizados, desde que aprovados pela Fiscalização.

·          Até o recebimento da obra pela Fiscalização, o Construtor será responsável por sua vigilância e proteção, cabendo-lhe reparar ou reconstruir, a critério da Fiscalização, as placas danificadas no período. Nos trechos ainda submetidos à cura, sob nenhum pretexto será admitido o trânsito de pedestres, veículos e animais, devendo ser providenciada a adequada proteção do pavimento, conforme ilustrado na Figura 10.

 

 
Figura 10. Proteção do pavimento acabado

 

 

Liberação ao tráfego

 

O pavimento deverá ser liberado ao tráfego de veículos comerciais via os resultados de resistência à tração na flexão obtidos no controle tecnológico (fctM,est), devendo ser estes no mínimo igual àquele especificado em projeto (fctM,k), na data de liberação ao tráfego.

 

 

 

 

 

 

 

 



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